e acende alerta para safra 2026/27
Segundo meteorologista, o cenário exige atenção, pois o planeta já enfrenta altas temperaturas, o que potencializa os efeitos do fenômeno climático. Por Hildeberto Jr.

O retorno do fenômeno El Niño já é considerado certo pelos meteorologistas e deve começar a dar sinais mais claros a partir de junho. A principal preocupação do setor agropecuário agora é entender como um evento de forte intensidade pode impactar a safra de verão 2026/27, principalmente nas principais regiões produtoras de grãos do país.
Em entrevista ao programa Mercado & Companhia, o meteorologista Williams Bini, da Metos Consultoria, afirmou que os modelos climáticos indicam um aquecimento intenso do Oceano Pacífico, aumentando a possibilidade de um El Niño forte nos próximos meses. No entanto, ele evitou utilizar o termo “super El Niño”, classificação que ganhou força na mídia em episódios anteriores, como o registrado em 2015.
“Não existe essa denominação científica de super El Niño ou El Niño Godzilla. O que existe é a possibilidade de um El Niño muito forte, categoria reconhecida cientificamente”, explicou o especialista.
Segundo Bini, o cenário atual exige atenção porque o planeta já enfrenta temperaturas médias mais elevadas, o que potencializa os efeitos do fenômeno climático.
“O planeta está mais quente e o El Niño aumenta as temperaturas e também a chance de chuvas mais volumosas no Sul do Brasil”, afirmou.
O meteorologista destacou que os padrões tradicionais do El Niño devem se repetir, com tendência de mais chuva no Sul e redução das precipitações no Norte e Nordeste. Apesar disso, ele alertou que ainda é cedo para prever eventos extremos específicos com antecedência de vários meses.
“Os modelos ainda não conseguem antecipar fenômenos climáticos extremos com seis ou sete meses de antecedência. É preciso cautela”, disse.
A maior preocupação do setor agrícola está concentrada no Brasil Central, especialmente em áreas do norte de São Paulo, Mato Grosso do Sul, centro-sul de Mato Grosso e Goiás, regiões estratégicas para a produção de grãos.
Segundo Bini, essas áreas ficam justamente em uma faixa de transição entre regiões que tendem a ter mais chuva e outras que devem registrar redução dos volumes.
“Existe risco de atraso no início do período úmido, principalmente no centro-sul de Mato Grosso. Em vez de as chuvas começarem na segunda quinzena de setembro, elas podem atrasar para outubro”, explicou.
Ainda conforme o especialista, os modelos climáticos devem ganhar mais precisão nos próximos meses, permitindo avaliações mais detalhadas sobre o comportamento das chuvas durante a instalação da safra de verão.
