
Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), uma das rotas de desvio de dinheiro público investigadas em Sidrolândia envolve a empresa JL Serviços Empresariais e Comércio Alimentício LTDA. A empresa chamou a atenção dos investigadores não apenas pelos contratos para obras e conservação do cemitério municipal, mas também pelo baixíssimo custo declarado com pessoal.
Conforme apontam os autos do MPE, a então secretária municipal e atual vereadora, Elaine de Souza Canatto Coimbra, chegou a cobrar duramente Jacqueline Mendonça Leiria (apontada como “testa de ferro” no esquema) pela péssima conservação do Cemitério São Sebastião. Em mensagens, Elaine reclamou que o local estava “abandonado e sujo”, tomado pelo mato, e contando com apenas duas mulheres para o serviço.
Para o Ministério Público, essa própria cobrança ilustrou que a estrutura da empresa era de fachada e que o serviço contratado não era prestado de fato.
Os dados apontados pela investigação do MPE:
Gasto Irrisório com Pessoal: Em agosto de 2022, enquanto mantinha os contratos, a despesa da empresa com funcionários foi de apenas R$ 3.687 (pouco mais de três salários-mínimos da época).
Funcionários Públicos: A investigação aponta áudios indicando que os serviços eram, na verdade, prestados por funcionários do próprio Poder Público e às expensas do município.
Rastro Financeiro: A denúncia cita que, em 16 de setembro de 2022, logo após receber uma transferência de R$ 29.299,01 da Prefeitura, a empresa repassou R$ 10.000,00 para a genitora de Cláudio Serra Filho (Claudinho Serra), apontado como o coordenador da criação da empresa logo após sua nomeação.
Volume dos Contratos: Ao todo, as contratações da empresa para os serviços no cemitério totalizaram R$ 598 mil, divididos nas modalidades de carta-convite, pregão presencial e dispensa de licitação.
O processo segue tramitando na Justiça para apurar as responsabilidades decorrentes da Operação Tromper. O espaço público e o dinheiro do povo merecem total fiscalização e transparência!
