
Carga despachada no mês tende a chegar no gigante asiático em 50 dias, inserindo-a na sobretaxa; entenda como o mercado físico será impactado
O boi gordo comprado pelos frigoríficos ao longo do mês de maio e a ser processado em carne, embalado e despachado em contêineres já pode ser sobretaxado em 55% por conta do tempo de viagem, entre 45 e 50 dias, para chegar à China. A avaliação é do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri.
Neste domingo (10), porém, o governo chinês anunciou que as importações da proteína brasileira atingiram 50% da quantidade total especificada. Em março, a Austrália, outro grande exportador para os asiáticos, já havia preenchido a metade do volume que lhe cabe, de 205 mil toneladas.
Fabbri também pondera que no mercado interno, os preços do frango e do suíno caíram nas últimas semanas, o que deixa o boi menos competitivo no atacado, levando o mercado a reduzir aquisições.
“Diante desses fatores, a expectativa é de queda para a arroba do boi em maio, um mês que, historicamente, é desfavorável, já que desde 2003, em apenas dois anos tivemos um mês de maio com preços da arroba maiores do que os registrados em abril. Acreditamos que os preços girem entre R$ 340 e R$ 345 na praça-base São Paulo ao longo do mês”, conclui.
Dia das mães não atendeu expectativas
Mesmo diante dos preparativos para o Dia das Mães, data que, historicamente, eleva o consumo interno de carne bovina, o mercado físico do boi gordo registrou uma semana de preços acomodados.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, houve tentativas de compra em patamares mais baixos em estados como Goiás, Minas Gerais e São Paulo. “Por outro lado, em Mato Grosso observou-se um encurtamento das escalas de abate, levando a indústria local a elevar os preços pagos ao pecuarista”, contextualiza.
Variação de preços do boi na semana
Os valores da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 7 de maio:
- São Paulo (Capital): R$ 350, baixa de 2,78% frente aos R$ 360 praticados na
semana passada; - Goiás (Goiânia): R$ 340, queda de 1,45% ante aos R$ 345 registrados no final
da semana anterior; - Minas Gerais (Uberaba): R$ 340, inalterado frente ao fechamento da semana passada;
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350, sem mudanças em relação ao encerramento da última semana;
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 360, sem modificações ante ao fechamento da semana passada;
- Rondônia (Vilhena): R$ 330, estável perante o fechamento do mês anterior.
No mercado atacadista, o analista de Safras & Mercado ressalta que os preços sinalizaram alguma acomodação, mesmo em meio à entrada de salários na economia e a comemoração do Dia das Mães.
O analista acrescenta que o mercado não oferece espaço para altas contundentes, considerando que o atual nível de preços já assume patamares proibitivos para boa parcela da população.
“A competitividade da carne bovina é menor na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação com a carne de frango”, pontua.
- Quarto do dianteiro: precificado a R$ 23 por quilo na semana, recuo de 2,13% frente aos R$ 23,50 no final da semana passada;
- Cortes do traseiro bovino: cotados a R$ 28,00 por quilo, queda de 1,75% frente aos R$ 28,50 encerrados no final da semana anterior.
Exportações de carne bovina

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,572 bilhão em abril (20 dias úteis), com média diária de US$ 78,625 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 251,944 mil toneladas, com média diária de 12,597 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.241,50.
Em relação a abril de 2025, houve alta de 29,4% no valor médio diário da exportação, ganho de 4,3% na quantidade média diária exportada e avanço de 24,1% no preço médio.
*Com informações de Safras News
